Pilar Europeu dos Direitos Sociais em foco na conferência anual do SocioDigital Lab
- Pedro Simão Mendes

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A 4.ª Conferência do SocioDigital Lab for Public Policy (SDLab), realizada a 19 e 20 de novembro de 2025 no Iscte – Instituto Universitário de Lisboa, reuniu investigadores/as, especialistas, decisores políticos e representantes da sociedade civil para refletir sobre os cinco anos de implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais (PEDS). As reflexões resultantes deste evento serão compiladas em resumos para informar as políticas públicas, Policy Briefs, que serão lançados em 2026. A emissão da Conferência foi gravada e está disponível no Canal do YouTube do SDLab (Dia 1, Dia 2).

A sessão de abertura contou com as palavras de Maria de Lurdes Rodrigues, Reitora do Iscte, que destacaram o papel central da investigação fundamental num cenário em que a reestruturação das instituições de financiamento nacionais pressiona para a constante aplicação imediata da ciência. Renato do Carmo, representando a comissão organizadora da Conferência, salientou a importância da colaboração interdisciplinar na construção de políticas públicas mais sólidas em contexto de transição digital.
O programa científico da conferência iniciou com uma análise aprofundada de Eleonora Peruffo (Eurofound) sobre os progressos e desafios do PEDS. Descubra, no vídeo abaixo, as declarações da investigadora sobre as principais áreas de progresso e os principais obstáculos na implementação do PEDS.
Em seguida, Francisco Simões (CIS-Iscte) apresentção a edição especial da revista Social Inclusion, dedicada precisamente à implementação do PEDS em contexto de “policrise”. O programa prosseguiu com debates dedicados às linhas temáticas do Laboratório Associado do Iscte: a primeira mesa-redonda discutiu dinâmicas laborais e a procura por empregos mais dignos e significativos, enquanto a segunda se centrou na inclusão digital em saúde, abordando desigualdades de acesso, desafios de literacia e a urgência de políticas que previnam a exclusão digital. O tema das migrações encerrou o primeiro dia, com uma reflexão sobre barreiras institucionais, integração comunitária e os impactos da nova legislação migratória.
O segundo dia abriu com a palestra de Elisa Ferreira, antiga Comissária Europeia para a Coesão e Reformas, que revisitou as desigualdades territoriais e os impactos económicos da mobilidade laboral na União Europeia, sublinhando a importância renovada das políticas de coesão em tempos de instabilidade geopolítica. A atual investigadora da Faculdade de Economia da Universidade do Porto assinalou os principais desafios de Portugal na implementação e consolidação das políticas de coesão social e territorial, momento registado em vídeo.
Seguiu-se o lançamento dos Policy Briefs da 3.ª Conferência, apresentados por Elsa Pegado, numa edição bilingue e de acesso aberto. Em mais uma mesa redonda, o centro das atenções voltou-se para a justiça ambiental, através do caso da bacia do Alviela, permitindo discutir a articulação entre problemas locais e políticas europeias. A mesa redonda dedicada à transformação digital alertou para os riscos de aumento das desigualdades sociais caso a digitalização, acelerada pelo uso crescente de IA, não venha acompanhada de investimento robusto na formação, proteção social e participação cívica. A última mesa-redonda centrou-se no futuro dos direitos sociais, identificando a persistência da pobreza, a fragilidade do modelo social europeu e o conflito crescente em torno do trabalho como eixo crítico de debate político.
Na sessão de encerramento, Luísa Lima, co-coordenadora do SocioDigital Lab, destacou a conferência como um espaço de diálogo interdisciplinar que reforça a produção de conhecimento para políticas públicas mais humanas, inclusivas e informadas. Renato Carmo, em nome da organização, sublinhou a relevância contínua do PEDS num momento em que múltiplas crises ameaçam desviar a atenção das prioridades sociais da Europa.

A conferência fechou com a convicção de que, apesar dos avanços, persistem desafios significativos e que manter o PEDS no centro da agenda europeia será essencial para garantir um futuro mais justo e coeso.

































